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Artigo / Os conceitos sobre o processo saúde/doença – o saber psicológico

Os conceitos sobre o processo saúde/doença – o saber psicológico
BARROS, Alexandre Amatuzzi; SILVA, Ana Cristina da Rocha; SANTOS JÚNIOR, Eduardo Antônio; SILVA, Leonardo Alves; WATANUKI, Regina.
Ao longo de toda a trajetória histórica da medicina no Ocidente, a concepção sobre saúde/doença acabou por receber inúmeras interpretações oriundas do próprio saber oficial. Com os grandes avanços científicos dos séculos XIX e XX, destacou-se, principalmente, a concepção física da doença, a qual se encontra hoje fortemente alicerçada.

Porém, em contrapartida aos pressupostos físicos da interpretação sobre as doenças, começam a surgir, no final do século XIX e início do século XX, novas concepções sobre o adoecer. O principal expoente da época, Sigmund Freud levanta a hipótese psicodinâmica para o processo de adoecimento. Conforme trazido por Volich (2000, p.57) “a obra freudiana marcou de forma indelével a evolução das concepções acerca das relações entre o psíquico e o somático”.

Em suas obras, Freud destacou a importância dos aspectos psicodinâmicos na existência física do ser, tomando por base seus estudos sobre a histeria. Segundo Volich (2000, p.62) “o interesse de Freud pela histeria e sua intuição de que as manifestações dessa doença não apresentavam nenhuma correspondência com a estrutura anatômica dos órgãos afetados representam uma verdadeira ampliação da compreensão das múltiplas possibilidades do sofrimento humano”.

Conforme explicado pelo autor, a teoria freudiana ressaltava também o papel do conflito na existência humana. Assim, para cada indivíduo, as diferentes soluções encontradas em face dos conflitos experimentados ao longo de sua vida, ou em um momento particular desta, determinavam o seu bem-estar ou o seu adoecer.

A teoria psicanalítica de Freud abriu as portas para novas considerações a respeito das doenças, surgindo entre os anos 10 e 20 do século XX , o movimento que deu origem ao interesse pela psicossomática. De acordo com Melo Filho (1992, p.13), o termo ‘psicossomática’ “surgiu a partir do século passado, depois do século de estruturação, quando Heinrot criou as expressões psicossomática (1918) e somato-psíquica (1928), distinguindo os dois tipos de influências e as duas diferentes direções”.

Em 1917, Georg Groddeck (1866-1934), importante nome da psicanálise da época, publicou a “Determinação Psíquica e o Tratamento Psicanalítico das Afecções Orgânicas”, considerado como marco da medicina psicossomática. Conforme citado por Volich (2000, p.82-83), para Groddeck “não existem doenças orgânicas ou doenças psíquicas, pois corpo e alma adoecem simultaneamente. A expressão psicossomática remete não a um estado, mas a uma essência, a do ser humano”.

Em 1926, um outro expoente da Psicanálise, Sandor Ferenczi, defendia a importância da consideração das descobertas psicanalíticas no tratamento de toda e qualquer doença, chamando a atenção para a dimensão psíquica presente na dinâmica de toda patologia, inclusive a orgânica (Volich, 2000, p.81).

Prosseguindo na evolução da interpretação psicossomática das doenças, em 1952, Franz Alexander, considerado até hoje como o principal estudioso da área, propõe que fatores psicológicos causavam ou predispunham vários estados patológicos, sugerindo que Groddeck e outros pesquisadores haviam atribuído valor excessivo ao aspecto psicológico e ignoravam os mecanismos fisiológicos autônomos que controlavam as expressões das emoções do corpo que respondiam a um só estímulo estressor. Alexander, deste modo, defendia a idéia da gênese inconsciente das enfermidades.

Mudando um pouco o foco das pesquisas, em 1956, Hans Selye descreve o conceito de estresse, denominado de ‘síndrome geral de adaptação’. Esse conceito diminuiu a importância do conflito psíquico no papel etiológico das doenças, dirigindo-se cada vez mais para uma etiologia multifatorial. Nesse sentido, o estilo de vida é considerado como importante fator para a saúde e para a prevenção da doença.

Mais recentemente, uma concepção mais abrangente é dada por Hinkle e Mirsky. Segundo Castro & cols. (2006) estes autores consideram a doença “como uma conjugação de fatores originados do corpo, da mente e da sua interação com o ambiente e o meio social”, intitulada por eles como ‘doença sócio-somática’.

Desta maneira, segundo Mello Filho (1992, p.19), a psicossomática evoluiu nessas três fases acima descritas: a inicial ou psicanalítica, com predomínio do estudo sobre a gênese inconsciente das enfermidades; a intermediária ou behaviorista, caracterizada pelo estímulo à pesquisa em homens e animais, (...) dando grande estímulo aos estudos sobre o estresse; e a atual ou multidisciplinar, em que vem surgindo a importância do social e da visão psicossomática como uma atividade essencialmente de interação.

Bem próximas às colocações de Mello Filho com relação à evolução dos estudos da psicossomática, encontram-se as afirmações de Spink (2004, p.43), situadas por ela própria dentro do campo da psicologia da saúde, considerando que
“ao ser pensada como disciplina explicativa, a psicologia da saúde, ao longo de sua breve história, reproduziu a situação existente na disciplina mãe. Partiu, inicialmente, de uma perspectiva intra-individual para a explicação do processo saúde/doença; passou, numa fase posterior, a incorporar o social de forma mecânica e apenas recentemente adotou uma postura mais dinâmica face ao social, abraçando uma postura construtivista”.

Segundo descrito pela autora, a vertente intra-individual explica o processo saúde/doença a partir de duas correntes distintas: uma fortemente influenciada pela abordagem psicanalítica, tendo como conceito central a psicogênese da doença; e, a outra, mais próxima às teorias da personalidade.

De acordo com Spink (2004, p.44), a primeira corrente parte do pressuposto que “os conflitos inconscientes não resolvidos entre os desejos e as forças antagonísticas do ego e do superego geravam tensões emocionais crônicas cujos correlatos fisiológicos podiam resultar em disfunção ou mesmo em mudanças estruturais em determinados órgãos do corpo. Uma nova versão para a velha e influente tese de que a emoção não domesticada gera doença”.

Já a segunda corrente parte da idéia central de que “existe uma relação entre certos tipos de personalidade e certas doenças”, centralizando seus esforços nos estudos de duas das principais doenças da modernidade: o câncer e as doenças cardíacas.

Spink considera, em seu trabalho, que a segunda vertente, surgida ao longo da história da psicologia da saúde, “enfatiza os aspectos psicossociais da cadeia multicausal responsável pelo surgimento da doença”. Exemplo disto são os estudos sobre “os eventos da vida” e, principalmente, sobre “o estresse”, na tentativa de buscar correlações entre experiências de vida e o adoecer. Essa vertente preocupa-se em entender e, especialmente, prevenir os chamados comportamentos de risco: fumar, comer alimentos inadequados e levar uma vida sedentária. Assim, no que diz respeito ao estilo de vida, a responsabilidade acaba recaindo sobre o indivíduo. A autora conclui que, enquanto “a primeira vertente pertencia à esfera das emoções e das terapias, a segunda parece pertencer à esfera da educação”.

Adentrando a terceira vertente, Spink (2004, p.47) “enfatiza as representações do processo saúde/doença, procurando explicitar o substrato social das construções que determinados grupos ou sociedades fazem da doença e da saúde”. Segundo ela, nesta vertente também surgiram várias correntes, destacando-se três: aquela que centra os esforços de pesquisa nas teorias do senso comum; outra que explora as interfaces entre representação e comportamento - ou seja, a representação que o indivíduo tem sobre o processo saúde/ doença orienta seu comportamento; e uma terceira, que explora a interface entre o saber popular e o saber oficial - mediado pela constituição do campo da prática médica e das instituições médicas – e a representação da doença prevalecente em determinadas épocas e/ou grupos.

Referências Bibliográficas

CASTRO, Maria da Graça & cols. Conceito mente e corpo através da história. In: Revista Psicologia em Estudo, Maringá, v.11, n.1, p.39-43, jan/abr. 2006.

MARGOTTA, Roberto. História ilustrada da medicina. São Paulo: Manole, 1998.

MARTIRE JR., Lybio. História da medicina: curiosidades e fatos. Itajubá: Astúrias, 2004.

MELLO FILHO, J. Psicossomática hoje. Porto Alegre: Artes Médicas, 1992.

SCHULTZ, Duane P.; SCHULTZ, Sydney E. História da psicologia moderna. 12ª ed. São Paulo: Cultrix, 2000.

SCLIAR, Moacyr. Do mágico ao social: trajetória da saúde pública. São Paulo: Senac, 2002.

SPINK, Mary Jane. Psicologia social e saúde: práticas, saberes e sentidos. 2ª ed. Petrópolis: Vozes, 2004.

SPINK, Mary Jane. Desvendando as teorias implícitas: uma metodologia de análise das representações sociais. In: GUARESCHI, P. & JOVCHELOVITCH (orgs.). Textos em representações sociais. 2ª ed. Petrópolis: Vozes, 1995.

VOLICH, Rubens Marcelo. Psicossomática: de Hipócrates à psicanálise (Coleção clínica psicanalítica). São Paulo: Casa do Psicólogo, 2000.





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